sexta-feira, 14 de setembro de 2012




Uma vez que o homem adquiriu plena certeza pela intuição espiritual, nunca mais pode cair vítima de incerteza, embora ligeiras nuvens possam, por vezes, empanar o brilho dessa consciência divina. Pode o crente perder a sua crença em Deus - mas não pode o ciente perder a sua ciência de Deus. Há um caminho da insciência para a ciência - mas não há regresso desta para aquela. Posso saber hoje o que ontem ignorava - mas não posso ignorar amanhã o que hoje sei de Deus por intuição experimental. O que sei por experiência íntima é patrimônio meu inalienável, no presente e no futuro e para todo o sempre, porque essa experiência é identificada com o meu próprio ser - e como podia eu perder o meu ser?
Depois duma experiência assim, desertará de mim o derradeiro vestígio de dúvida, o mais tênue resquício de incerteza. Sei que tenho os pés solidamente firmados na rocha do Eterno, do Absoluto, do Infinito; sei que atingi a última fronteira da Realidade.
E com o desvanecimento da dúvida sobre Deus, desvanece também a dúvida sobre mim mesmo. Sei o que sou. Sei aonde vou...

E então vem sobre mim essa grande paz, essa imensa realidade, essa inefável, dinâmica e dulcíssima beatitude que ultrapassa toda a compreensão e da qual nada sabem os profanos gozadores... Se o soubessem, não tolerariam, por um só instante, a horripilante miséria dos seus "prazeres"...

E a tal ponto me penetra e me permeia essa divina felicidade que minha alma se transforma num clamor ingente, no veemente anseio de ver felizes todos os seres que povoam o universo de Deus. Também, como podia eu tolerar a meu lado um único ser infeliz, se Deus e eu somos tão imensamente felizes?

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